DÓI AQUI…DÓI ALI…

“Mamã, dói-me a garganta!”

“Dói-me muito o ouvido, papá!”

É assim que os mais crescidos avisam sempre que sentem alguma dor ou desconforto e habitualmente fazem-no de forma imediata, ou seja, quando começa a doer.  Cabe aos pais avaliar o seu comportamento perante a situação e perceber se esta exige uma intervenção mais atenta, tal como a toma de analgesia.

Com as crianças não existem dúvidas, pois habitualmente se a dor passa a criança retoma a sua atividade e comportamento habitual. Não é preciso perguntar se a dor foi embora, pois se brinca, come e age da forma que lhe é característica, é porque está melhor.

Ainda é muito comum os pais levaram a criança ao serviço de urgência com queixas de dor, sem que lhes administrem analgesia. Alguns fazem-no por desconhecimento, por não saberem como agir. Outros parecem ter receio que as queixas não sejam valorizadas se a criança estiver bem disposta, pelo que consideram mais acertado não medicar.

É importante que os pais atuem de forma a garantir o conforto da criança, devendo medicá-la  com um analgésico (paracetamol ou ibuprofeno, desde que não haja nenhuma contraindicação particular).

Devemos defender a segurança e bem-estar da criança, e com isto não quero dizer que mediquemos logo após a primeira queixa. Se a queixa da criança for falso alarme depressa passará, mas quando a dor persiste devemos intervir e eventualmente levar a criança aos serviços de saúde para que possa ser observada.

Aqui em casa é comum ouvir que dói a barriga, depois o joelho, que dói o braço… Fico atenta quanto baste, evitando fazer perguntas do tipo “Ainda está a doer?”, “Queres xarope para ficares melhor?” No que diz respeito ao meu filho mais novo, o xarope é sempre bem vindo, pelo que até dá jeito inventar uns dói-dóis para garantir o acesso ao doce remédio! Este facto torna a minha tarefa um pouco mais difícil… acabo por lhe dizer que podemos fazer um remédio para o tal dói-dói, mas que aquele mais docinho já acabou… a maior parte das vezes, felizmente, a tal dor acaba por passar mesmo sem o xarope!

Em relação à saúde tento confiar no meu instinto de mãe, afinal ninguém os conhece melhor do que os pais.  Penso que é aí que reside o segredo.  Os pais de hoje têm de perder o medo e confiar mais naquilo que sentem enquanto pais! Devem deixar um pouco de lado o receio de julgar mal e confiar um bocadinho mais nas suas capacidades naturais.

No que me toca a mim, tento observar, vigiar a forma como se comportam, como comem, como brincam. Nada como estes sinais para nos fazer perceber se aquela dor insuportável que há me levou a medicá-lo, já se dissipou.

Que os pais sejam o porto seguro, o abrigo!

Que não tenham medo, ou mesmo que o sintam, que tentem confiar no seu instinto, na perceção que têm das situações.

Que os pais aprendam a parar e olhar com calma para os seus filhos, a pensar com calma, a agir com calma e sobretudo a transmitir-lhes calma.

Anúncios