SOCORRO, O MEU BEBÉ NÃO TEM MANUAL DE INSTRUÇÕES

Quem é que consegue ficar indiferente quando olha para um bebé, daqueles assim pequeninos, que acabou de nascer? Qualquer coração se enternece e vem aquela vontade de pegar ao colo…

Eu não me consigo defender perante tanta fofura, quando vejo um bebé a dormir tranquilo, a fazer aquele sorriso angelical que os acompanha durante o sono, a carinha redonda, as mãos pequeninas… E pronto, às vezes parece que bate uma saudade dos meus filhos quando eram assim recém-chegados ao mundo.

Na realidade os bebés são seres maravilhosos, mas no meio de tanta ternura há um certo grau de marotice. É que sem darmos pelo milagre, este acontece e ficamos definitivamente rendidos e apaixonados por aquelas coisinhas lindas… que às vezes nos levam ao desespero.  Sim, e eu também desesperei algumas vezes,  e enquanto me derreto a olhar para um bebé também me recordo dos momentos de stress que vivi, quando não conseguia fazer com que os meus filhos parassem de chorar ou adormecessem.

Como enfermeira de pediatria,  penso que assumi inconscientemente que conseguiria facilmente dar a volta às situações, sem me sentir insegura. E na realidade acho que o consegui fazer na maioria das situações, mas quando nasce um bebé acontece muita coisa ao mesmo tempo, porque também nasce uma mãe.

Cuidar de um bebé é muito exigente e eu recordo que depois de olhar a minha filha a primeira vez, senti uma responsabilidade avassaladora. Aquela pessoa, que ali se apresentava ao mundo, dependia de mim para sobreviver. Seria eu capaz? Como poderia não ser? … não havia margem para falhar.

E é assim que uma mãe pensa, pensa e assume que não pode falhar. E exige a si mesma conseguir responder prontamente a todas as necessidades do bebé, alimentando, mimando, aquecendo, protegendo… e às vezes no meio de todo este empenho tem que ouvir inúmeros conselhos, por vezes até contraditórios.

Sim, toda a gente quer ajudar e toda a gente sabe tudo ou quase tudo. E a recém-nascida mãe, que ainda agora se apresentou ao mundo, sente-se muitas vezes confusa e pressionada.  São algumas destas mães que acabam por procurar ajuda nos serviços de saúde (e ainda bem que o fazem), e chegam com um ar cansado, lágrima a querer saltar do olho, dizendo que aquela coisa fofinha que se encontra agora a dormir tranquilamente, não pára de chorar nem um segundo. Se calhar até pára e provavelmente até dorme alguns soninhos bons e se alimenta bem, mas para quem se encontra muito cansado e com as emoções ao rubro, até o que poderia ser contornável se transforma num problema efetivo.

Quando os meus filhos tinham períodos de choro intenso e eu tentava tudo o que sabia, também ficava ansiosa. Eu não me queria sentir assim, mas não é coisa que se faça de forma automática, isso de desligar o botão que comanda o stress. Difícil para mim foi aceitar a realidade de lidar com esta insegurança, eu que me considerava um pouco imune…

Acabei por perceber que não importa se a casa está um bocadinho desarrumada, e que se pode dormir uma sesta enquanto o bebé faz um soninho.

Aprendi que também precisava de tempo para mim e que o pai adorava os momentos em que eu o deixava a sós com o bebé, e ia dar uma voltinha para aliviar a ansiedade.

Assumi que a ajuda é coisa que se deve aproveitar, na medida certa, e que sabe bem que alguém nos leve uma sopinha para o jantar.

Compreendi ainda melhor a singularidade de cada bebé e a forma extraordinária como manifesta a sua personalidade desde cedo.

Percebi que por vezes é preciso algum tempo para nos sintonizarmos efetivamente com tudo isto que a maternidade envolve, e que a culpa não tem lugar nestas coisas do amor.

Aprendi a não ouvir todos os conselhos, a confiar no meu instinto, enquanto mãe, porque uma mãe sabe quando alguma coisa está errada, e eu todos os dias conheço mães que tomam decisões certas.

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