CRIANÇAS E XAROPES… QUANDO A RELAÇÃO NÃO É FÁCIL, O QUE FAZER?

Mesmo contra todos os nossos esforços para proteger a criança (agasalhando na medida certa, privando-a do contacto com pessoas doentes, de mudanças bruscas de temperatura, …), a verdade é que o pequeno ficou doente. Ficou doente, e tem que fazer antibiótico.

 A relação da criança com os xaropes nem sempre é fácil e é possível identificar alguns padrões de comportamento, mais ou menos facilitadores da toma da medicação:

–  Existem crianças que adoram tomar xarope, o que obriga os pais a adotarem  medidas redobradas para guardar adequadamente os frascos e frasquinhos na sua farmácia doméstica. Na hora da toma da medicação já estão de boquinha aberta à espera da colher, com os olhos brilhando de alegria e  às vezes até pedem mais um bocadinho. Pais sortudos estes, que não vêem a sua vida a andar para trás só porque o menino tem que cumprir a medicação.

– Existem crianças que não apreciam tomar xaropes, mas que ainda assim, e após alguma conversa, se sentem levadas a cumprir o que lhes é pedido. Se o problema é o sabor, pode ser oferecido um pouco de água ou uma bolachinha após a ingestão da medicação.  Pelo seu esforço e colaboração merecem muitos beijinhos e elogios, afinal não é fácil determinarmo-nos a fazer algo que não nos agrada.

– Existem ainda algumas crianças que, não querendo tomar o xarope,  ficam com o mesmo dentro da boca, recusando-se a engolir. Após isto duas coisas podem acontecer: o xarope vai saindo lentamente pelos cantinhos da boca ou  é expelido bruscamente quando a criança cospe. Isto tira qualquer pai do sério, mas perder a calma não é opção. Eu vivi experiências deste tipo, e tentando manter a postura dizia: “Não faz mal, a mamã tem mais no frasquinho e vou voltar a oferecer-te sempre que o deitares fora.” No meu caso resultou, com a insistência a minha filha foi-se resignando à necessidade de tomar a medicação. No final ganhava sempre muitos beijinhos e elogios. Hoje toma tudo o que é preciso tomar, mas continua a não gostar.

– Existem ainda algumas crianças que tomam a medicação se forem forçadas, mas que provocam o vómito.  Deve falar com a criança com calma antes de oferecer o xarope, e após a toma deve  elogiar imediatamente o seu esforço. Pode também tentar distrair  a criança, de forma a que se distancie da situação. Provocar o vómito não é o mesmo que não tolerar a medicação e devem ser enveredados esforços para contornar este comportamento.

– Por último, existem crianças que mesmo tomando não conseguem tolerar, acabando por vomitar.  Nestes casos os pais pouco podem fazer… devem contactar o pediatra pois pode ser possível alterar a medicação, ou eventualmente outras medidas terão que ser adotadas… não há volta a dar à situação. São felizmente os casos menos frequentes, mas não se resolvem com insistência.

É importante que os pais assumam que um antibiótico não é para tomar mais ou menos, com a dose mais ou menos, à hora mais ou menos… Não queremos que a criança fique mais ou menos tratada.

Encontram-se definidas algumas estratégias que podem facilitar a toma da medicação:

– Oferecer o xarope em seringa pode por vezes assustar algumas crianças, que entendem o procedimento como ameaçador. Se for esse o caso opte por usar uma colher.

– Em crianças pequenas (lactentes) o uso de seringa pode ser facilitador, pois permite a introdução da solução no interior da bochecha. Deve ter o cuidado de oferecer de forma fracionada e de não introduzir o xarope na garganta, pelo risco da criança se engasgar.

– A mistura do medicamento com alimentos pode ser uma solução, devendo contudo validar-se com o médico essa opção. Existem medicamentos que se alteram com o aumento da temperatura. Se optar por fazê-lo aconselho que coloque a medicação apenas numa pequena porção de alimento, para se poder assegurar da sua completa ingestão.  Por outro lado pode provocar uma alteração significativa do sabor, podendo posteriormente haver uma recusa à ingestão daquela alimento específico. É um risco que prefiro não correr.

Que estas sejam as maiores dificuldades decorrentes da doença e que tudo seja contornável com persistência e bom senso.

Desejos de melhoras para as crianças e de paciência os pais.

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