Espasmo do choro… de gelar qualquer coração!

Há uns dias atrás fui matar saudades com uma amiga de longa data, pôr a conversa em dia. É claro que para os nossos filhos foi uma festa, brincaram com uma alegria contagiante! Até que o inesperado aconteceu… Pelo meu radar de mãe (sim, porque mesmo quando uma mãe está entretida na conversa, têm uma visão periférica que nunca falha) observo que o meu reguila de 4 anos, no meio de tamanha brincadeira e algazarra, tira o carrinho, da mão do pequeno da minha amiga. Um gesto aparentemente inofensivo, que causou uma grande susto!

Não é que o pequeno da minha amiga, com apenas 2 aninhos, desata num choro intenso, estridente, até que deixa de respirar, ou como se diz “prende o choro”! A isto segue-se o pânico da mãe, que o levanta rapidamente, abana, grita, pede para respirar, sopra para a cara, belisca, faz tudo o que pode, e mesmo assim a criança continua sem “querer obedecer”, não respira.

Digo-lhe para tentar manter a calma, que vai passar, mas realmente, segundos nesta situação parecem horas, e o menino encontrava-se já arroxeado. Até que de repente, aconteceu… o pequeno voltou a respirar! A minha amiga pálida, sentou-se de imediato, com a cabeça baixa, a tremer e a chorar, dizendo entre dentes, e no meio de uns quantos suspiros de alivio, que já era a terceira vez que a situação se repetia….

Esta situação é realmente assustadora. Qualquer mãe ou pai perante esta situação tem medo, angustia e o difícil é não entrar em pânico. Tem um nome, designa-se de Espasmo do choro.

O espasmo do choro, é relativamente comum, ocorre em crianças saudáveis e caracteriza-se por uma sequência de eventos muito típica. Começa como uma resposta reflexa a um estímulo, tal como o medo, a dor súbita, a frustração, um susto… De imediato a criança inicia choro, seguindo-se um período em que deixa de respirar (apneia), podendo mesmo chegar a ficar inconsciente. Há crianças que ficam pálidas, outras cianosadas (arroxeadas).

É uma situação que apesar de ocorrer em crianças saudáveis, é sempre necessária uma avaliação pelo pediatra, para que se possam excluir outras patologias. Durante a consulta médica é importante que os pais sejam capazes de descrever a crise, o que a desencadeou, como ficou a coloração da pele da criança e quanto tempo demorou. O espasmo do choro resolve-se espontaneamente e habitualmente não resulta em complicações sérias.

Pode ocorrer desde bebés pequenos até crianças mais velhas, surge de forma involuntária (a criança não pensa “agora vou deixar de respirar para pregar um susto à minha mãe!”). Contudo, há estudos que demonstram que algumas destas crianças tendem realmente a ser mais manipuladoras, pouco tolerantes à frustração e a lidar com contrariedades. Neste sentido, o comportamento dos pais também deve ser trabalhado, pois como se sentem impotentes perante a situação, tendem a evitar contrariar a criança, no sentido de prevenir eventuais crises.

E então, o que pode fazer para lidar com esta situação?

  • Informe-se o melhor que puder acerca do tema, pois quanto menos sabemos mais medo sentimos.
  • Adote regras de conduta firmes, que não reforcem estes comportamentos.
  • Tente que ambos os pais assumam uma atitude concordante em relação à forma como lidam com a criança: aprender que não é não, fará com que a mesma perceba que não vale a pena fazer birra. Seja consistente.
  • Para prevenir eventuais crises, tente agir antes que a criança entre em ansiedade. Leve-a para um local tranquilo, deixando que a mesma se auto-regule, se controle. Nesta fase não deve estimular a criança, deixe-a acalmar.
  • Em bebés mais pequenos, e já conhecendo os sinais que antecedem o espasmo do choro, às vezes basta chamar calmamente a criança pelo nome para que a crise não se desencadeie.
  • Se ainda assim acontecer, não entre em pânico (é fácil falar, mas se não conseguir evitar a ansiedade pelo menos disfarce o melhor que sabe).
  • Fique junto da criança, vigiando e assegurando que não se magoa.

Sei que a minha amiga continua a ficar com o coração gelado quando a coisa acontece, mas também sei que vai aprender a lidar cada vez melhor com a situação. Sei que é muito difícil manter a calma…

Mas também sei que uma mãe consegue tudo, aprende tudo, enfrenta tudo!

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