A BRINCAR, A BRINCAR… DESVENDAMOS MISTÉRIOS!

Não há nada mais delicioso para uma mãe do que assistir os seus filhos a brincar…

Ficamos de olhar atento, com um sorriso de orelha a orelha, e de coração aberto a assistir em primeira fila à forma como os nossos filhos apreendem o mundo que os rodeia.

 É surpreendente como é que as crianças conseguem ter uma visão tão pormenorizada e ao mesmo tempo tão mais simples do mundo… Tão diferente de nós, adultos, que passamos metade da nossa vida a complicar aquilo que à partida podia ser tão simples!

As crianças não sabem complicar, elas apreendem o mundo que as rodeia e replicam esse mundo através da brincadeira. Adoram brincar de imitação, criar histórias, sempre temperadas com uma boa dose de imaginação… No entanto, a sua inocência faz com que os comportamentos que repetem não sejam apenas fruto da sua imaginação, mas também de comportamentos presenciados.

Se quer saber como é a vida da criança, observe-a nas suas brincadeiras…

Através da forma como a criança brinca é possível desvendar grandes mistérios!

                A adaptação da minha filha ao infantário, foi um dos grandes mistérios, que eu desvendei através da brincadeira.

A adaptação da minha filha ao infantário não foi fácil… Segundo informação da escola, “entrava muda e saía calada”! Quando a questionava diretamente sobre o assunto, não conseguia nada mais do que silêncio… Foi um período angustiante, questionei-me, vezes e vezes sem conta, acerca do motivo de tamanha timidez, quando em casa sempre foi uma criança muito faladora e uma pequena rebelde!

Seria por ser demasiado agarrada à mãe, timidez inicial ou algo escola que a criança não gostava?

As respostas a estas dúvidas apareceram através da brincadeira. Construía com ela cenários parecidos com a escola, e apercebi-me que boneca dela estava sempre com vergonha e não brincava com os outros meninos, mas gostava quando a professora que lhe dava miminhos! Nesse momento, descansei… percebi que o problema com a escola era apenas uma questão de adaptação, que o tempo iria resolver! Uma adaptação que se tornou mais prolongada do que o dito normal… mas quando falamos em crianças a normalidade não é regra, cada criança tem o seu tempo!

 Hoje na escola, é uma criança divertida, espontânea e quando a assisto a brincar, a brincadeira já é outra… reúne a sua coleção de bonecas, mais de uma dúzia deles, sentadas de lado a lado. E diz-me com ar de importante “Mãe, são as minhas meninas, eu sou professora”, e continua “Meninos, todos sentados a chinês… a professora vai cantar uma canção!” Descreve, através da brincadeira, uma escola mais alegre, em que as suas meninas interagem, mas também ficam de castigo sentadas, quando se portam mal!

É a brincar que dou conta que estou a fazer um bom trabalho enquanto mãe… Quando uma das suas “meninas”  cai, e que há uma boneca que vai de imediato ajudar a amiga e curar seu doí dói, ou quando uma das suas meninas mente e uma boneca diz prontamente, “mentir é feio… nunca se mente! Pede desculpa…. ” E de seguida diz: “está bem, anda cá que eu dou-te miminhos!”

Agora digam lá se há algo mais mágico que o brincar!

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